terça-feira, 13 de setembro de 2011

O Sonho...

Geste, esta semana eu tive um sonho que gostaria de compartilhar aqui no blog.

Eu comecei a contar para vocês na semana passada sobre meu sonho de ter um parto humanizado e mais natural que o parto da Laís (que seja sem intervenções).  Pois acreditam que a dois dias sonhei que acordava em um hospital desconhecido, com uma cirurgia de cesárea e um bebê dormindo em uma bercinho a uma distância que eu conseguia vê-lo mas não conseguia tocá-lo.  Ao meu lado somente uma enfermeira desconhecida.  Foi muito estranho. Eu comecei a chorar e perguntei por que estava ali, por que da cesárea, cadê meu marido, etc... e a enfermeira não sabia informar sobre nada.  E eu tentava me lembrar do parto e não tinha memória nenhuma de trabalho de parto, nem de parto, nem de nada.  E entrei em pânico!!!! E eu falava "Mas não estava na hora de nascer ainda!!!" E olhava o bebê dormindo e no sonho eu até duvidava se ele(a) era realmente meu. 

Gente, acordei em pânico, passei a mão na minha barriguinha (que tá bem grandinha para 5 meses) e tive certeza de que foi só um sonho.  Alívio!!!

Bem, neste sonho vivi o meu contra-sonho!!!! Totalmente o contrário do desejado. E fiquei analisando o que era pior naquele sonho.  Sabem o que mais me incomodou?  

Não foi a cesárea em si,  mas foi não ter lembrança nenhuma.  Foi não saber nada sobre aquela situação.  E a sensação mais forte que me ficou deste sonho foi o sentimento de que tinha perdido a oportunidade de viver o parto, seja como fosse.  E no sonho lembro que eu chorava e pensava, “Passou tudo e eu não vi nada, como pode?”

E fiquei pensando que muitas vezes é assim mesmo que acontece.  Às vezes a gente chega num ponto da vida sem saber como nos deixamos levar até ali.  E dá um pânico!!!  Meu cenário foi o parto, acho que pelo momento atual!!!  Mas me fez pensar em vários aspectos da vida e da maternidade. 

No sonho eu me via sem ter tido chance de decidir, de escolher,  nem ao menos de viver nada daquele parto.  Não tinha nem as recordações.  Mas às vezes temos as recordações, mas só elas.  Não vivemos o momento de maneira plena, presente, consciente.  E depois dá um pânico, um arrependimento de ter deixado a vida no piloto automático.... Igual naquele filme "Click", lembram?  Neste filme o protagonista delega todos os momentos difíceis ao controle remoto.  E passa a vida sem tomar decisões e sem viver nada, nem momentos bons e nem momentos ruins, simplesmente a vida passou e ficou o vazio de não ter vivido.

O sonho foi terrível, acordei mal e fiquei pensativa o dia todo, mas acho que acabou vindo a calhar para iniciar o assunto da humanização do parto no blog.  Acho que uma primeira resposta para pergunta do blog pode ser esta:
“Parir para viver o momento de maneira plena, sem delegar a dor que me compete.” 
Também gostaria de contar uma experiência interessante que vivi com minha filhota de três anos esta semana. 
Dia desses no carro a Laís me perguntou “Por onde o nosso neném vai sair?”
Eu respondi: “Pela bebé” – este é nosso apelido carinhoso para a genitália feminina – “Quando o neném estiver ponto ele vai destrancar a portinha e vai escorregar até sair pela bebé.” 
Ela perguntou “Tem que cortar a barriga?” – perguntou porque provavelmente já ouviu alguém falando isso, claro. E eu respondi “Só se acontecer alguma coisa e a portinha não destrancar”. 
E então ela perguntou algo que eu não esperava... “Vai doer?” até ela já está preocupada com a dor – respondi: “Doe um pouco sim, minha filha, mas vale a pena porque logo em seguida o neném vem para o colinho ficar com a gente e mama gostoso!!!”
Bem, foi o melhor que pude dizer.  Foi de coração!!!
Se alguém souber interpretar sonhos, eu aceito... Acredito que vai contribuir muito neste processo.
Bjs e até semana que vem!
Tati